Segunda-feira, 18 de Outubro de 2010

O que se segue é uma espécie de penitência, ou melhor, de confissão.

 

Sempre considerei que nós, portugueses, temos uma especial apetência para votar o País ao abandono e para destacar as suas (de facto, muitas) falhas, lacuna, o que lhe quiserem chamar e, nesse sentido, sempre pensei que tentaria "fazer pela vida" cá dentro, ou seja, resistindo aos impulsos e ao apelo de "ir para fora". Aguentei-me a este meu objectivo ao longo da minha vida académica e, quando a concluí, mantive esse mesmo propósito à medida que via amigos e colegas a arriscarem ir para fora, continuando estudos ou arranjando trabalho.
Acresceu a isto o facto de ter conseguido arranjar um trabalho razoavelmente estável e, adicionalmente, o ter-me casado foi também um elemento que não contribuiu em nada para considerar a hipótese de sair do país.

 

Mas isso tem vindo a mudar... Começo a perder a vontade de esperar para ver o que é que é possível ainda fazer de Portugal. Quando se assiste ao confrangedor espectáculo da resposta política à crise que afecta ao país, fico com a ideia de que não vale, manifestamente, a pena.

Agora que também eu já tenho um ordenado e sabendo que parte dele vai ser utilizado para respostas atabalhoadas e de resultados duvidosos, apetece-me finalmente mandar tudo às urtigas e tentar a minha sorte noutros lados.

Quando se lê um deputado a dizer que "vem da província" e "passa fome" e semanas depois, lê-se na Sábado histórias de crianças que, num dia, partilham um pacotinho de leite entre três, apetece bater em alguém.

Quando um 1º Ministro há menos de um ano prometia mundos e fundos e que "agora é que dávamos a volta a isto" para agora nos dizer com ar grave e solene que "nunca lhe custou tanto" tomar as medidas que agora toma, lamento mas não é grande incentivo à pena...

 

Dir-me-ão que não é como se eu já tivesse fazer algo em concreto para tentar mudar o status quo e, de facto, não fiz esforços para entrar para a "via política", mas também acho que trabalho o suficiente todos os dias e tento "fazer pela vida" dia-a-dia tal como milhões de outros portugueses que acham que o trabalho e o dinheiro que dão a essa figura abstracta que é o Estado já representa contributo suficiente.

 

Enfim, isto tudo para dizer que começo a duvidar se devo realmente alguma coisa a esta terra, ou se não devo procurar aquilo que é melhor para os meus, mesmo se isso implicar sair daqui e tentar a sorte lá fora, porque daqui para a frente não se augura nada de novo nem nada de bom para este país.



Publicado por Bernardo Hourmat às 09:47 | link do post | comentar

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