Quinta-feira, 18 de Novembro de 2010

Ler as edições do Avante! constitui sempre, para mim, uma aventura. Regra geral, nunca se sabe muito bem o que se pode encontrar por entre as "notícias"/artigos/opiniões de quem por lá escreve.

A parte divertida costuma sempre surgir na secção internacional onde, não raras vezes, somos transportados para outros tempos (mais ou menos) distantes quando o Mundo era, até certo ponto, muito mais simples e onde as coisas eram sempre ou pretas ou brancas.

Por intermédio do Jugular, descobre-se esta encantadora prosa, escrita por Correia da Fonseca, na publicação online do Avante!:

 

Mas acontece que Suu Kyi é mulher e que para mais tem aquele arzinho fisicamente frágil que nos dá cuidados quando a imaginamos presa. É certo que na sua própria residência, que é capaz de ser mais confortável que a minha. Mas imagino que deve ser terrível para uma mulher, para mais senhora de boa disponibilidade financeira, não poder sair de casa para ir às compras no hipermercado mais próximo. Não sei, é claro, se há algum hipermercado nas proximidades da residência de Aung San Suu Kyi, mas é praticamente certo que o haverá em tempo próximo, quando a democracia por ela desejada chegar enfim a Mianmar, pois é também para isso, para a abundante instalação de hipermercados, que a democracia serve, também para isso foi reinventada.

 

Este é a parte que, de facto, importa dar o devido destaque, talvez pelo grau de saloíce que é possível encontrar em tão poucas linhas. A coisa é escrita na secção "TVisto" pelo que é suposto ser como que uma crítica televisiva (giro não é?). A dita continua numa espécie de 2º acto onde o autor discorre sobre a presente realidade nacional, lamentando-se por viver num país sem liberdade de expressão ou, pelo menos, num país com "censura com letra minúscula" como diz o próprio.

De certeza que o autor terá uma excelente justificação para texto tão pateta e até será uma pessoa séria e, porventura, com boas razões de queixa sobre o "estado a que isto chegou". Quem não as tem hoje em dia?

Por outro lado, ainda bem que o Sr. Correia da Fonseca pode sentar-se à frente do computador e fazer sair texto tão "divertido" para o jornal do seu Partido que, decerto concordará, muito lutou e se bateu para que a Censura (agora com maíuscula) seja agora uma memória.



Publicado por Bernardo Hourmat às 13:15 | link do post | comentar

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