Terça-feira, 4 de Janeiro de 2011

 

O i faz hoje uma entrevista ao candidato presidencial Fernando Nobre que tem algum interesse isto porque, goste-se ou não, é o único candidato que ainda tem algum interesse nesta campanha.

 

Provavelmente não será isso que lhe vai garantir um bom resultado no final deste mês, mas ainda assim, é talvez o candidato cujo resultado possa ser aguardado com mais antecipação, para que se possa ver até que ponto é que a vertente "não-política" é valorizada. Numa coisa não deixo de dar razão a Fernando Nobre, somos constantemente bombardeados com a crescente insatisfação da sociedade civil face à sua classe política, chamamos-lhes todos os nomes, são isto e aquilo, bandidos e gatunos.

 

No entanto, surgindo um candidato que, com todas as reservas que é possível fazer (e o próprio finalmente reconhece que anda a fazer política há muito tempo, só não o tem feito através de partidos), pode-lhe ser atribuida a categoria de "outsider" e a primeira coisa a fazer é malhar na sua "inexperiência" para exercer o cargo ou, pior ainda, o célebre argumento de que foi empurrado por Mário Soares para chatear o Manuel Alegre 2010/2011.

 

Ainda assim, há coisas que chateiam um pouco em Fernando Nobre (como em Alegre, Cavaco, Lopes ou Moura). Logo à partida a forma como invoca o seu passado e a arrogância como o faz. Isto notou-se especialmente no primeiro debate com Francisco Lopes e no célebre episódio das "crianças com fome", sendo que parece ter havido um maior controlo por parte de Nobre à medida que se foi dando conta do "backlash" que foi tendo na imprensa e na blogosfera.

 

Por outro lado há uma certa indefinição em relação àquilo que o próprio poderá e deverá fazer enquanto PR. Isto relaciona-se um pouco com a sua alegada "inexperiência" face ao papel e poderes de um Presidente. Na entrevista, Nobre considera que um PR deve ser um "árbitro" que gere tensões mas, por outro lado, deve ser também um "decisor político" (Lembrei-me do famoso "Decider" de G. W. Bush). Como conjuga estas duas atribuições, fica ao critério dos leitores.

 

Finalmente, a forma como não sendo um político "partidário" ainda recorre à mesmas tácticas quando fala nos carros que vão buscar assessores de Ministros ao Cartaxo e que, consequentemente, "pelo país todos há carros do Estado a irem buscar assessores a casa". Sendo isto uma acusação relativamente clara e com alguma gravidade, os casos deveriam ser enumerados um por um. Que o Estado é despesista já nós sabemos e somos relembrados desse triste facto todos os dias, mas a um candidato presidencial não fica bem este género de insinuações (como bem se viu com Defensor Moura e as críticas a Cavaco Silva, que Nobre elegantemente contorna).

 

Enfim, são apenas alguns comentários que me surgiram com a entrevista. Confesso-me totalmente descrente nestas eleições presidenciais. Teria dois candidatos em que gostaria de votar mas que têm sido peritos em fazer-me perder a vontade, enquanto eleitor.



Publicado por Bernardo Hourmat às 09:20 | link do post | comentar

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