Segunda-feira, 14 de Março de 2011

Fazendo fé em notícias como a que mais abaixo se irá transcrever (e reforço o termo "notícia", uma vez que não se trata de um artigo de opinião, de acordo com a secção onde está incluido) que dão conta do desenrolar da situação na Líbia através das lentes muito particulares do jornal Avante, a Líbia está actualmente "cercada pelo Imperialismo":

 

incrementa-se o cerco imperialista à Líbia. Para além da suposta repressão e dos crimes contra civis cometidos pelo regime de Khadafi, a evacuação de trabalhadores estrangeiros tem sido outro dos argumentos para exigir a intervenção da UE e dos EUA, mas esta suposta necessidade é desmentida pelo facto de a Turquia, China e Índia, por exemplo, terem procedido ao resgate de dezenas de cidadãos em transportes fretados para o efeito e sem qualquer necessidade de acção armada.

Acresce que as afirmações de Khadafi têm sido continuamente deturpadas, sendo o exemplo mais gritante o facto de alguns órgãos de comunicação social terem noticiado que coronel ameaçou matar milhares de pessoas caso a NATO interviesse no país. Na verdade, Khadafi disse que se a Aliança Atlântica atacasse a Líbia, tal resultaria na morte de milhares de pessoas, o que não só é substancialmente diferente do difundido como, aliás, é uma possibilidade comprovada pelas operações em curso no Afeganistão.

Mas o que continua a ecoar com mais estrondo nos meios de comunicação social são as declarações das potências imperialistas. Barack Obama disse ter já dado «instruções aos departamentos de Estado e de Defesa para equacionarem um amplo leque de opções». Os responsáveis diplomáticos da Alemanha, França e Reino Unido insistem na entrega do poder por parte de Khadafi, com os germânicos a exigir mesmo a imposição de novas sanções, alegando «crimes contra o povo líbio», enquanto que os gauleses falam em «loucura criminosa» e os britânicos em «persistência de níveis de violência ilegítima».

 

Não é preciso transcrever muito mais. No entanto, não deixa de ser curioso que andando também eu, pobre de mim, a acompanhar com algum interesse o desenrolar dos acontecimentos, não deixo de notar a extrema relutância do "Império" em fazer grande coisa que não seja "acautelar todas as eventualidades". Desde Barack Obama, passando pelo próprio Secretário da Defesa (o republicano Robert Gates e, por conseguinte, duplamente imperialista) e até do Comandante do Central Command, James Mattis, cada um dizendo mais ou menos claramente que uma intervenção é sempre equacionada mas não é propriamente a estratégia desejada. Sim, grupos de congressistas republicanos e alguns elementos ligados à intelectualidade neoconservadora têm advogado intervenções armadas, baseando-se numa suposta adesão à agenda democratizadora do anterior Presidente (algo que, sinceramente, também ainda não notei, mas enfim..), mas daí a retirar-se algo mais do que isso ainda vai um longo caminho.

Por outro lado, curioso é também o recente pedido da Liga Árabe (esse bloco regional imperialista) para que o Conselho de Segurança implemente, de facto, uma zona de exclusão aérea na Líbia.

Aguardo por novos desenvolvimentos da edição online mas não resisto a colocar aqui mais este mimo:

 

A ONU decidiu também expulsar a Líbia do Conselho dos Direitos Humanos da Organização, medida baseada nas supostas violações dos direitos humanos cometidas pelas tropas leais a Khadafi durante a alegada repressão de pretensas manifestações de massas, cuja existência não foi possível provar com clareza, contrariamente ao que sucedeu na Tunísia e Egipto, e ao que acontece noutros países árabes

 

Vale pelo excelente encadeamento de supostas violações/alegada repressão/pretensas manifestações.

O mundo visto a partir do Avante é mesmo muito pouco complicado...



Publicado por Bernardo Hourmat às 13:08 | link do post | comentar

1 comentário:
De Dylan a 16 de Março de 2011 às 15:00
Se no caso egípcio, algumas pessoas acharam por bem que a comunidade internacional não interviesse no país afim de evitar serem acusados de ingerência nos assuntos internos de outros países, no caso da Líbia, a NATO devia mostrar a tiranetes da craveira de Khadafi, Chavez e Ahmadinejad, que o massacre da sua própria população devido a delírios ditatoriais, é a gota de água que faz transbordar o copo da paciência e dos valores ocidentais. Porque não é com discursos de "flower power" que se evitam atentados como o de Lockerbie, que se muda de um socialismo árabe miserável e opressor para uma democracia igualitária. A razão deve opor-se a alianças geoestratégicas e políticas, agora que as forças governamentais parecem reconquistar terreno aos rebeldes e o ajuste de contas do caduco regime líbio tresanda a sangue, superando a tragédia humanitária já em curso.


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