Sexta-feira, 27 de Maio de 2011

Sim, o título é um bocadinho pateta e talvez demasiado dramático, mas achei piada a esta notícia do Expresso, igual a "n" que aparecem sempre em alturas de campanha eleitoral.

 

Foi uma das muitas paragens que Paulo Portas costuma fazer para tomar um café à beira da estrada. Ia a caminho da esquadra da PSP de Almada, esta manhã, e fez uma pausa, que deveria ter sido breve, no Largo do Movimento das Forças Armadas. Foi o suficiente para que se criasse ali, à sua volta, uma ação de campanha espontânea, com cada vez mais gente a vir cumprimentá-lo.

Houve quem se queixasse da Câmara e das obras do Polis, quem lhe pedisse que "tome conta de nós", quem protestasse contra os ciganos "que andam por aí". Um homem quis saber se, quando voltar ao Governo, Paulo Portas vai comprar mais submarinos. Maria do Rosário perguntou-lhe: "Quando a gente precisar dos senhores, também nos vêm dar beijinhos?", e começou a explicar-lhe a situação do marido, antigo combatente, que não tinha recebido a pensão a que julgava ter direito.

"Ladrão! Fascista! Ditador!"

Foi quando se aproximou um homem a vociferar contra o líder do CDS: "Ladrão! Fascista! Ditador! Salazarista! Queres o povo a morrer à fome!"

Paulo Portas fingiu que ignorava, a meia dúzia de elementos do CDS que estava com ele também, mas o homem não desistia. E foi o povo de Almada a defender o líder do partido mais à direita. Primeiro foram as mulheres, na maioria de idade avançada, com os seus carrinhos de ir às compras pela manhã, que o tentaram afastar. Os homens à volta começaram a seguir o exemplo delas, alguns levantaram-se da esplanada ali ao lado para impedir uma zaragata, o que tinha provocado Paulo Portas sobre os submarinos defendia agora o seu "direito a fazer campanha em paz".

Até que um homem de bigodes imponentes largou a mesa onde estava, deixando por momentos a sua bica e o seu "Record", e se dirigiu ao perturbador, decidido a resolver a coisa a bem ou a mal. Dois insultos e um empurrão depois, a coisa ficou resolvida.

A agitação só serviu para chamar mais gente para a roda de Paulo Portas, a prometer-lhe o voto. O homem dos bigodes voltou à esplanada, à bica e ao "Record". "Eu não concordo com ele, não gosto do que ele diz. Mas não há direito de insultar assim uma pessoa numa campanha eleitoral. Se fosse mais novo, tinha dado dois sopapos àquele palhaço."

Na Praça do MFA, em Almada, velho bastião comunista, ainda é o povo quem mais ordena.

 

Este senhor, que merecia que lhe tivessem dado nome, diz exactamente aquilo que nos faz falta ouvir todos os dias...Não sei porque é que raio me chamou tanto a atenção a frase. Mas é aquilo sem tirar, nem pôr e com o dobro da piada da frase equivalente, atribuida a Voltaire.



Publicado por Bernardo Hourmat às 14:04 | link do post | comentar

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