Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

A minha (curta) vida profissional tem-me permitido visitar alguns países naquilo que ainda vamos chamando a União Europeia. Se, ao início, ainda havia aquela sensação de "novidade", essa esgotou-se rapidamente quando as viagens se reduzem, sistematicamente, a Aeroporto-Hotel-Reunião-Hotel-Aeroporto.

 

Desta última vez, a rifa calhou à Polónia (estou neste momento a escrevinhar isto num hotel em Gliwice, perto de Cracóvia). Inicialmente, não iria ser mais do que uma ida aborrecida para o aeroporto, com dois dias de reunião e o respectivo caminho de volta a Portugal. No entanto, desta vez houve a possibilidade de retirar um pouco mais de satisfação (embora isto soe terrivelmente errado à medida que aparece escrito) da dita viagem.

  

 

 

Muito simplesmente porque tive a possibilidade de visitar o Museu Auschwitz-Birkenau e passar um dia verdadeiramente diferente.

 

Logo à partida, tê-lo feito num dia em que o céu cinzento carregado foi uma companhia ao longo de quase todo o dia, juntamente com o frio e (parcialmente) o nevoeiro, dá a tudo um toque ligeiramente surreal e perturbador, no que diz respeito à parte da visita passada ao ar livre. Algumas das partes "interiores" da visita são também perturbadoras, mas por outros motivos totalmente diferentes.

 

Quem ler até pode pensar "meh, que descrição de treta." mas não consigo dizê-lo de outra forma e como até consegui fazer a descrição sem interrupções, interpreto como um sinal de que é isto mesmo que quero dizer.

 

 

 

É engraçado como passamos a vida a ver as imagens, os filmes, a ler os livros de história e a ficarmos chocados com as crianças a serem separadas dos pais, as valas comuns, os fuzilamentos e ficamos pasmados com o grau de barbárie a que nós conseguimos (muito cientificamente) alcançar. Mas, visitando o campo a coisa é levada para um patamar um bocadinho absurdo.

 

Sim, estão lá as mechas de cabelo de muitas das mulheres que passaram pelos campos, ou as roupinhas e sapatinhos de crianças, ou as próteses removidas aos presos com deficiências. Mas para mim foram as pilhas de malas (a maioria com nomes e moradas) de quem para lá foi e se deu ao trabalho de...fazer a mala. Ou os pincéis de barbear e as escovas, ou os óculos...As pequenas coisas foram, para mim, as piores.

 

Cheguei ao ponto de, pelo menos em certos sítios não ser capaz de sequer tirar uma fotografia, simplesmente porque não me pareceu certo...

 

Enfim, depois de ter passado algum tempo sem grande vontade (e principalmente, tempo) para vir aqui escrevinhar mais qualquer coisa, achei que valia a pena deixar uma nota por uma das experiências mais estranhas que pude ter até hoje.

 

 



Publicado por Bernardo Hourmat às 21:16 | link do post | comentar

1 comentário:
De golimix a 14 de Dezembro de 2011 às 12:53
Só com a sua descrição fiquei com os olhos rasos de lágrimas, sem querer e sem as desejar.
Este será um local que pretendo nunca colocar os pés. Todo o meu ser o repele, como se parte de mim tivesse estado aí.
Pensando bem, parte nós esteve lá, porque "nós" poderemos ser os "outros" em qualquer ocasião da nossa vida.
Boa viagem e boa estadia. Obrigada pela partilha


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