Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

 

Emaranhados que estamos com as nossas próprias agruras e preocupações, as notícias que "contem" tendem a começar nos mais recentes números do desemprego, passam pela mais recente declarção de "descrença" por parte dos "mercados" e terminam com a mais recente frase imbecil de quem presentemente ocupa o Palácio de Belém e/ou São Bento.

 

Os acontecimentos na Síria têm dado conta da dificuldade que a comunidade internacional representada em organizações como a NATO ou a ONU têm para fazer face às consequências imprevistas das convulsões que se têm feito sentir no região a que se convencionou chamar o "Médio-Oriente", desde que as mesmas tiveram inicio na Tunísia.

 

No caso da Síria, a contestação tem tido uma resposta (no mínimo) musculada por parte do regime de Assad, que terá originado qualquer coisa como 7600 vítimas desde o inicio dos movimentos de revolta, em Março do ano passado.

 

Esta semana, dois jornalistas (um americano e um francês) foram mortos no bairro de Baba Amr, na cidade de Homs, considerado pelas forças sírias como um dos focos da insurreição e, consequentemente, tem sido alvo de sucessivas barragens de artilharia por parte de elementos do Exército sírio. Alguns dos comentários de um dos jornalistas, Marie Colvin, são particularmente elucidativos acerca da realidade no terreno:

 

They call it the widows’ basement. Crammed amid makeshift beds and scattered belongings are frightened women and children trapped in the horror of Homs, the Syrian city shaken by two weeks of relentless bombardment.

 

The widows’ basement reflects the ordeal of 28,000 men, women and children clinging to existence in Baba Amr, a district of low concrete-block homes surrounded on all sides by Syrian forces. The army is launching Katyusha rockets, mortar shells and tank rounds at random.

Snipers on the rooftops of al-Ba’ath University and other high buildings surrounding Baba Amr shoot any civilian who comes into their sights. Residents were felled in droves in the first days of the siege but have now learnt where the snipers are and run across junctions where they know they can be seen. Few cars are left on the streets.

 

[...]

 

Ban Ki-moon, the secretary-general of the United Nations, said last week: “We see neighbourhoods shelled indiscriminately, hospitals used as torture centres, children as young as 10 years old killed and abused. We see almost certainly crimes against humanity.” Yet the international community has not come to the aid of the innocent caught in this hell.

 

[...]

 

For now it is a violent and deadly standoff. The FSA is not about to win and its supplies of ammunition are dwindling.

 

The only real hope of success for Assad’s opponents is if the international community comes to their aid, as Nato did against Muammar Gadaffi in Libya. So far this seems unlikely to happen in Syria.

Observers see a negotiated solution as perhaps a long shot, but the best way out of this impasse. Though neither side appears ready to negotiate, there are serious efforts behind the scenes to persuade Russia to pull Assad into talks.

 

As international diplomats dither, the desperation in Baba Amr grows. The despair was expressed by Hamida, 30, hiding in a downstairs flat with her sister and their 13 children after two missiles hit their home. Three little girls, aged 16 months to six years, sleep on one thin, torn mattress on the floor; three others share a second. Ahmed, 16, her sister’s eldest child, was killed by a missile when he went to try to find bread.

 

Os excertos fazem parte do último registo escrito de Marie Colvin para o Sunday Times inglês.

 

Há uma considerável relutância num eventual envolvimento militar por parte de forças estrangeiras da NATO ou do envio de qualquer tipo de força multinacional no âmbito da ONU. Neste último caso, a relutância prende-se essencialmente com a necessidade de uma resolução do Conselho de Segurança, algo que choca directamente com o apoio que tanto a Rússia como a China (em menor grau) têm vindo a garantir a Assad.

 

Por outro lado, no caso da NATO, parece-me que a Aliança ainda tenta digerir a sua recente intervenção na Líbia cujos resultados não são ainda claros para que uma segunda possa ser levada a cabo noutro país da região. Logo à partida, os moldes da intervenção dificilmente poderiam ser os mesmos, já que a imposição de zonas de restrição aéreas dificilmente conseguiriam demover as forças de Assad de atenuarem as medidas repressivas que têm vindo a ser seguidas.

 

No fundo, resta aquilo que dá muito mais trabalho, muito menos cabeçalhos de jornal e que leva muitas pessoas a interrogarem-se sobre a aparente apatia da comunidade internacional, ou seja, a boa velha diplomacia de bastidores, de idas e vindas de "enviados especiais", de modo a conseguir um acordo que assegure um cessar fogo e um aliviamento do sofrimento das populações, ao mesmo tempo que garanta à oposição síria o mínimo do que pretendem, a saber, o afastamento de Assad dos destinos do país.

 

PS - O principal motivo que me levou a escrever algumas linhas sobre isto tem a ver com este artigo. Quando o li, confesso que me apeteceu postar qualquer coisa desagradável, mas acabei por achar que não valia a pena o esforço...

 

PPS - Na foto, Rémi Ochlik, o fotojornalista que foi morto com Marie Colvin, esta semana. Tirada daqui



Publicado por Bernardo Hourmat às 12:56 | link do post | comentar

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