Terça-feira, 24 de Agosto de 2010

Esta espécie de notícia anda pela página principal do Expresso. Em resumo, conta a história de Bruno Balthazar, 18 anos, finalista do secundário com "notas máximas a Física e Matemática" e 3º lugar nas Olímpiadas Internacionais da Física. Até aqui tudo bem, mas acontece que o rapaz quer ser investigador na área da Física (o que segundo a repórter do Expresso é um "sonho pouco comum") e é a partir daqui que a "notícia" toma contornos mais estranhos. Começa logo pela interrogação feita pelo próprio Bruno:

 

"Quero ser investigador de Física e ninguém me ajuda. E se eu quisesse ser jogador de futebol?"

 

Pois...Imagino que se quisesse ser futebolista, estaria exactamente na mesma, mas tudo bem. Compreendo que é para passar a ideia do Portugal obcecado com  o futebol, ideia que até partilho e que me faz bastante confusão.

Querendo o Bruno ser "investigador de Física", a ideia passa por ingressar na Universidade de Oxford, na vanguarda da investigação no sector e é para este objectivo específico que o Bruno faz o seu pedido de auxílio, já que para lá chegar deve ter que gastar este mundo e o outro, coisa que os pais não podem, infelizmente, fazer.

A repórter avança que não conseguiram "apoios em nenhuma das instituições que contactaram" ficando por saber quais e, não estando o Bruno sequer na Universidade, que tipo de apoios poderiam ser oferecidos.

Finalmente, o pai do Bruno retoma o teor futebolístico já referido, dizendo:

 

"Se o meu filho fosse jogador de futebol, com certeza já teria um clube, já o teriam contratado e ele já seria um grande jogador de futebol para o futuro."

 

Acabando de ler, fico sem saber exactamente quem e de que forma poderia ajudar o Bruno? Seriam os clubes/universidades que deveriam oferecer-lhe o curso, mediante bolsas? Mas isso é, obviamente, possível, sendo talvez uma boa ideia entrar em contacto com a FCT...Ou será que foi essa uma das "instituições" contactadas?

Seria o Estado (essa ominpotente e omnipresente entidade) que deveria pegar no Bruno e enfiá-lo em Oxford?

 

E porque não começar por inscrever-se na FCUL, ou no ISCTE e ver como correm as coisas? A partir daí será mais fácil arranjar uma Bolsa...

Logo a seguir e atendendo às suas capacidades fora da média, será relativamente fácil fazer-se nota no curso e chamar a atenção de Professores que poderão ficar de olho nele e, de futuro, convidá-lo para investigação.

Quem sabe se, ainda mais tarde, não poderá ir fazer o Mestrado ou o Doutoramento a Londres...?

Mas que raio, ainda agora acabou o secundário e já está a chorar a dizer que não vai conseguir fazer carreira na Física?

 

 

 



Publicado por Bernardo Hourmat às 15:02 | link do post | comentar

mais sobre mim
Agosto 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30
31


posts recentes

O fino recorte da nossa c...

O Circo

De greves e sindicatos

Se estás a ler isto, não ...

As maravilhas do "Google ...

Para citar o amigo Tolkie...

Notícias da Faixa de Gaza

Pensar o Mundo, Repensar ...

Grandes Títulos

O Mundo ao contrário

arquivos

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Abril 2013

Novembro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

tags

egipto

líbia

todas as tags

links
blogs SAPO
subscrever feeds