Quarta-feira, 9 de Novembro de 2011

 

Embrenhados que andamos todos nas nossas próprias desgraças europeias,  a renovação da animosidade entre o Irão e Israel tem tido tendência a passar um pouco despercebida enquanto notícia digna de registo.

 

Na sequência da publicação de um relatórioa da AIEA que apresenta um conjunto de conclusões que parecem indiciar um potencial militar no programa nuclear iraniano. A publicação oficial do relatório vem, por sua vez, no rescaldo de um aceso debate tornado público por parte dos media em Israel sobre a (aparente) necessidade de um ataque às instalações nucleares em território iraniano.

 

O próprio presidente israelita, Shimon Peres, disse numa entrevista que a "opção militar" estava a ganhar primazia sobre a "opção diplomática". Esta declaração, juntamente com as notícias diárias sobre a discussão entre o poder político e militar em Israel não mostra, por si só, a iminência de um ataque. Pelo contrário, há quem considere que o agudizar do discurso por parte de Tel Aviv vai no sentido de arregimentar a comunidade internacional (nomeadamente a ONU e o seu Conselho de Segurança) para reforçarem as sanções a Teerão.

 

Por outro lado, o reconhecimento por parte da AIEA de que a utilização do programa nuclear para fins militares se mantém como opção por parte do governo de Teerão poderá levar a que quem advogue um ataque preventivo considere a sua posição "legitimada", ou pelo menos, mais legitimada do que estava anteriormente.

 

No site do Daily Beast, há uma pequena entrevista interessante feita a um dos pilotos que esteve envolvido no ataque ao reactor nuclear de Osirak (no Iraque, em '81). Apesar de não tomar uma posição acerca da necessidade (ou não) de levar a cabo o ataque, o oficial considera que (tal como em '81) o problema está na própria tomada de decisão e não no ataque em si, que o mesmo considera exequível, não obstante as circunstâncias radicalmente diferentes em termos de extensão de alvos a abater, bem como do adversário em si.

 

Dois outros contributos que já tive a oportunidade de ler são os de David Rothkopf e de Aaron David Miller, ambos para a Foreign Policy (o site encontra-se em baixo agora e não posso linkar os artigos). Em relação a Rothkopf, este argumenta que a ideia de que a Presidência norte-americana esteja relutante em envolver-se num novo conflito directo com uma potência regional como o Irão poderá não corresponder à realidade, a partir do momento em que os EUA considerem que, no seu entender, haja uma ameaça real e credível que implique algo mais do que sanções.

David Miller, pelo contrário, apresenta as maiores razões pelas quais considera uma nova "aventura iraniana" um erro e um tremento risco à estabilidade regional e internacional, que o é de facto. Desde a capacidade iraniana para orientar tanto o Hezbollah como o Hamas para "armar confusão" em Israel e contra interesses norte-americanos no Golfo, passando pelo próprio armamento de que o Irão dispõe (não estamos a falar do Iraque por alturas de 2003) até algo tão simples como cimentar e re-legitimar o governo de Ahmadinejad, com uma população preparada para cerrar fileiras perante aquilo que iriam ver como um ataque do Ocidente ao seu país.


Em resumo, os desenvolvimentos das próximas semanas têm tanto de interessante como de perigoso...



Publicado por Bernardo Hourmat às 14:31 | link do post | comentar

1 comentário:
De golimix a 10 de Novembro de 2011 às 16:43
Será que não viveremos o suficiente para ver paz no mundo?
É terroristas de um lado, "pseudopacificadores" do outro... Chiça apertem as mãos dêem um abraço e sejam felizes!
Irra as crianças são bem mais simples!!


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