Quarta-feira, 3 de Julho de 2013

 

Ir ao Youtube repescar o clip do Pinheiro de Azevedo a dizer que não gosta de ser sequestrado sempre foi uma coisa que me fez rir. Há, em toda aquela troca de galhardetes entre o Almirante e o jornalista, um grau de surrealismo que é bastante representativo daquele período. Ultimamente, já não é preciso ir ao Youtube. Basta lermos as notícias e é fácil ficar com uma ideia de até que ponto é que o país parece envolvido num manto de permanente demência. A "comunicação ao país" de ontem parece, assim, um sketch inserido numa temporada sem graça dos Gato Fedorento.

 

Hoje à noite, é a vez do stand-up de Paulo Portas, o que não augura nada de bom. Nos próximos dias, não vão faltar novos “momentos” que, daqui a umas décadas vão ser vistos pelos Portugueses da altura (caso ainda os haja), a revirarem os olhos ante o desfilar de horrores dos nossos governantes.

 

Ontem, as piadas/comentários/farpas foram mais que muitas, por entre blogs e Facebooks, incluindo aquelas feitas por mim e que, do meu ponto de vista, servem de escape. São uma tentativa desesperada de tentar rir um pouco de uma situação que, realisticamente, não tem graça absolutamente nenhuma.

 

Estamos condenados a esta corte de luminárias, de pseudo-elites que circulam acima de nós, entre cargos governativos, consultorias e direcções de empresas das mais variadas áreas. Pelo facto de coexistirem num universo só deles, parece que grande parte da sua intervenção pública (especialmente no desempenho de cargos políticos) é, paradoxalmente, influenciada menos e menos pelo impacto das suas acções em relação ao país que pretendem governar. Agora era a parte em que uma alternativa qualquer seria apresentada para fazer face a este status quo. Mas, realisticamente, que alternativas poderão ser apontadas?

 

Como é que um sistema já tão consolidado pode, de facto, apresentar alternativas novas, inovadoras, que sejam mais do que frases feitas ou slogans que ficam sempre bem em manifestações ou congressos, mas que de capacidade de implementação têm pouco.

Parece que estamos destinados a ouvir sempre os mesmos, a ver sempre as mesmas caras, que apenas se revezam entre si, consoante estão no poder ou esperam que o poder lhes caia de novo ao colo.

 

Depois do Verão, ou só em 2015, não se perspectiva nada de especialmente encorajador…



Publicado por Bernardo Hourmat às 16:36 | link do post

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